Reportagem

O adeus de Ivone Pacheco ao seu clube de jazz

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O adeus de Ivone Pacheco ao seu clube de jazz Ivone Pacheco (Foto: Carlos Macedo)
Take Five seguirá funcionando, mas sem a presença de sua criadora, que aos 89 tem a saúde debilitada progressivamente Os 40 anos do Take Five, o clube de jazz criado no porão de Ivone Pacheco e que se consagrou na cena musical de Porto Alegre, foram celebrados em 23 de julho, com uma maratona de apresentações na Casa de Cultura Mario Quintana, mas este texto não trata disso. Há outra história esperando seu registro para que não acabe traída pelo esquecimento. Antes que ardam de novo as tradicionais fogueiras montadas atrás do sobrado no bairro Petrópolis, quando as temperaturas baixam, vocês precisam saber o que se passou em 21 de maio. Naquele dia, Ivone, 89 anos, se despediu do espaço que revolucionou a sua vida e abrigou mais de uma geração de artistas. Embora sem a presença de sua criadora, o Take Five seguirá funcionando. Tudo foi planejado pela Rosa Maria, filha da Dama do Jazz de Porto Alegre, que nos últimos anos vem organizando atividades para que o legado de sua mãe permaneça vivo, mesmo que a idade avançada e a saúde frágil tenham comprometido o protagonismo de Ivone. A mulher vibrante e ousada que se tornou um dos personagens mais destacados da vida musical da cidade pouco a pouco saiu de cena para habitar um universo paralelo só seu. Os primeiros sinais foram os lapsos que desordenaram a dinâmica dos dias, até os esquecimentos predominarem, subtraindo as lembranças. O neurologista que a trata chegou a um diagnóstico: demência senil. Revelou à família que, a cada dois idosos com 80 anos, um desenvolve essa condição.  Antes de a fragilidade da saúde alcançar níveis que impeçam atitudes prosaicas, como passar algumas horas no porão, a despedida foi planejada. Para contar como transcorreu, primeiro é preciso rememorar o que precede o evento. Ivone nasceu em 11 de outubro de 1932. Ainda criança começou a decifrar as teclas do piano do hotel Metrópole, na rua General Andrade Neves, no centro de Porto Alegre, que pertencia ao pai e onde a família morava. Começou a ter aulas particulares de piano aos oito anos. Aos 12 já ousava harmonias jazzísticas, mas a professora tolhia o improviso com tapas na mão. Ainda estudou piano e acordeão com o maestro italiano Ângelo Crivellaro, fundador do Liceu Musical Palestrina. A família comprou o sobrado em 1947, quando muitas chácaras se espalhavam pelo bairro Petrópolis. Ivone se casou aos 27 anos. Na década de 1970, ela, o marido e os filhos – Santina, Rosa Maria e Flávio – se mudaram para a casa. Dedicava-se integralmente à família, até que, provocada pela irmã Yolanda, aos 48 anos ingressou mediante concurso no magistério estadual. Trabalhou até os 60, quando se aposentou. Beirava os 50 quando revolucionou a sua vida. Os filhos já estavam grandes e seguiam seus próprios caminhos, e ela então mergulhou nas possibilidades do jazz. Começou uma série de curtas estadias, em torno de 15 ou 30 dias, em Nova Orleans, Nova York e Buenos Aires, lugares onde […]

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