Gênio | Parêntese

Rodrigo Breunig: A maior e mais encantadora galeria de leitores imaginários da história da literatura universal

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Rodrigo Breunig: A maior e mais encantadora galeria de leitores imaginários da história da literatura universal Ok, se não for a maior, é a mais encantadora. Dito isso, deixo aqui os nomes dos 242 personagens-leitores-de-livros dos contos e romances de Machado de Assis.  Fiquem com eles e com este derradeiro saldo positivo: quando lemos um livro encantador, conectamos nossas cabeças a uma nuvem bilhões de vezes mais poderosa do que a nuvem na qual flutuam as fotos dos nossos celulares; na nuvem mais poderosa flutuam os pensamentos e os sentimentos de todas as pessoas que um dia leram as páginas encantadoras de um livro – inclusive os pensamentos e os sentimentos das pessoas leitoras que nunca existiram. Alberta, uma frequentadora de lojas que diz que lê tudo em “Pobre Finoca!”. Alberto, um contador de histórias leitor do Fausto em “Um esqueleto”. Alfredo Tavares, um rapaz cujo espírito a leitura de certos livros povoou de Julietas e Virgínias em “Antes que cases…”. Amaral, estudante cuja alma transborda de música alemã e poesia romântica em “O machete”.  Amaral, frequentador de teatro a quem ocorre em sonho um conto fantástico de Hoffmann em “O capitão Mendonça”. Anacleto Monteiro, um funcionário público que lê duas ou três páginas do Carlos Magno em “Dívida extinta”. Anastácio, um velho aposentado que liga à ideia de poeta a ideia de mendicidade em “Aurora sem dia”. Andrade, um falso ambicioso que agora só lê uns romances e uns versos e nada mais em “Uma águia sem asas”. Andrade, um meio-advogado-meio-político que ensina a amante a ler e conversa com ela sobre romances em “Singular ocorrência”. André Soares, um pinga que acha que um pinga só é poético nos livros em “To be or not to be”. Ângela, moça um tanto gárrula que tem o livro aberto na mão, mas vê-se bem que não lê, em “Felicidade pelo casamento”. Antero da Silva, um médico leitor de Paulo e Virgínia em “O anjo Rafael”. Arsênio Caldas, um guarda-livros leitor de Bocage em “A inglesinha Barcelos”. Augusta, uma vaidosa profunda, leitora de Fanny em “O segredo de Augusta”. Aurora, uma donzela que adquiriu da leitura ideias talvez absurdas, fora das quais não compreende o amor, em “Onda”. Autor de texto de estilo ab ovo, um aluno citador de autores em “Um cão de lata ao rabo”. Azevedo, um marido inteiramente feliz que lê Marília de Dirceu em “Linha reta e linha curva”. B…, oficial da marinha inglesa que ganha emprestados uns livros de história e religião em “Um incêndio”. Baronesa, leitora e releitora do Saint-Clair das Ilhas em “Casa Velha”. Baronesa, madrinha para quem Guiomar lê, com filial dedicação, um romance francês em A mão e a luva. Barreto, um amanuense leitor de Gonçalves Dias em “O caso Barreto”. Batista, dono de armarinho que leu uns livros de ciência em “Um dia de entrudo”. Batista, dono de poucos e bons livros em Esaú e Jacó. Benedito, um leitor do Almanak Laemmert em “Evolução”. Benjamim, advogado que considera o diário póstumo de seu tio um livro digno do prelo em “Galeria póstuma”. Bentinho, um casmurro que cata os […]

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Ok, se não for a maior, é a mais encantadora. Dito isso, deixo aqui os nomes dos 242 personagens-leitores-de-livros dos contos e romances de Machado de Assis.  Fiquem com eles e com este derradeiro saldo positivo: quando lemos um livro encantador, conectamos nossas cabeças a uma nuvem bilhões de vezes mais poderosa do que a nuvem na qual flutuam as fotos dos nossos celulares; na nuvem mais poderosa flutuam os pensamentos e os sentimentos de todas as pessoas que um dia leram as páginas encantadoras de um livro – inclusive os pensamentos e os sentimentos das pessoas leitoras que nunca existiram. Alberta, uma frequentadora de lojas que diz que lê tudo em “Pobre Finoca!”. Alberto, um contador de histórias leitor do Fausto em “Um esqueleto”. Alfredo Tavares, um rapaz cujo espírito a leitura de certos livros povoou de Julietas e Virgínias em “Antes que cases…”. Amaral, estudante cuja alma transborda de música alemã e poesia romântica em “O machete”.  Amaral, frequentador de teatro a quem ocorre em sonho um conto fantástico de Hoffmann em “O capitão Mendonça”. Anacleto Monteiro, um funcionário público que lê duas ou três páginas do Carlos Magno em “Dívida extinta”. Anastácio, um velho aposentado que liga à ideia de poeta a ideia de mendicidade em “Aurora sem dia”. Andrade, um falso ambicioso que agora só lê uns romances e uns versos e nada mais em “Uma águia sem asas”. Andrade, um meio-advogado-meio-político que ensina a amante a ler e conversa com ela sobre romances em “Singular ocorrência”. André Soares, um pinga que acha que um pinga só é poético nos livros em “To be or not to be”. Ângela, moça um tanto gárrula que tem o livro aberto na mão, mas vê-se bem que não lê, em “Felicidade pelo casamento”. Antero da Silva, um médico leitor de Paulo e Virgínia em “O anjo Rafael”. Arsênio Caldas, um guarda-livros leitor de Bocage em “A inglesinha Barcelos”. Augusta, uma vaidosa profunda, leitora de Fanny em “O segredo de Augusta”. Aurora, uma donzela que adquiriu da leitura ideias talvez absurdas, fora das quais não compreende o amor, em “Onda”. Autor de texto de estilo ab ovo, um aluno citador de autores em “Um cão de lata ao rabo”. Azevedo, um marido inteiramente feliz que lê Marília de Dirceu em “Linha reta e linha curva”. B…, oficial da marinha inglesa que ganha emprestados uns livros de história e religião em “Um incêndio”. Baronesa, leitora e releitora do Saint-Clair das Ilhas em “Casa Velha”. Baronesa, madrinha para quem Guiomar lê, com filial dedicação, um romance francês em A mão e a luva. Barreto, um amanuense leitor de Gonçalves Dias em “O caso Barreto”. Batista, dono de armarinho que leu uns livros de ciência em “Um dia de entrudo”. Batista, dono de poucos e bons livros em Esaú e Jacó. Benedito, um leitor do Almanak Laemmert em “Evolução”. Benjamim, advogado que considera o diário póstumo de seu tio um livro digno do prelo em “Galeria póstuma”. Bentinho, um casmurro que cata os […]

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