Reportagem

Capes visita Unisinos para avaliar fechamento de 12 cursos de pós-graduação em 2022

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Capes visita Unisinos para avaliar fechamento de 12 cursos de pós-graduação em 2022 Segundo o DCE, os campi da Unisinos, de São Leopoldo e Porto Alegre, têm hoje a metade dos alunos de uma década atrás | Foto: Rodrigo W. Blum/Divulgação

Metade dos programas tinha nota 5 ou mais – considerados de excelência na pesquisa acadêmica

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Correção: 19 de junho, 14h17. Este texto foi atualizado para corrigir a informação do número de professores que compuseram a diligência da Capes, 12 docentes, ao contrário dos três informados na primeira versão da reportagem.

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) realizou, entre a quinta e a sexta-feira, uma série de reuniões com a comunidade acadêmica da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). O objetivo foi examinar o fechamento de 12 cursos de pós-graduação, decisão tomada pela instituição em julho de 2022.

Os programas todos têm conceito acima de 4 na avaliação da Capes, considerados bons índices – a contagem vai de 1 a 7. Trata-se dos cursos de Arquitetura, Biologia, Ciências Contábeis, Ciências da Comunicação, Ciências Sociais, Economia, Enfermagem, Engenharia Mecânica, Geologia, História, Linguística Aplicada e Psicologia.

No caso das Ciências da Comunicação e da Linguística Aplicada, com notas de 7 e 6, respectivamente, são cursos considerados de excelência acadêmica. O programa de pós-graduação em Comunicação chegou a ter sua nota aumentada de 6 em 2022, quando se anunciou sua extinção, para o índice máximo na escala, neste ano.

A averiguação, de acordo com a Capes, incluiu reuniões com professores, estudantes e gestores para avaliação dos programas de pós-graduação. “No presente momento, não é possível adiantar medidas que serão tomadas pela Coordenação, uma vez que o processo e os relatórios posteriores não foram concluídos”, disse a entidade, em resposta ao Matinal. Não há prazo, no momento, para uma conclusão sobre as avaliações. Três docentes integrantes da Capes participaram da diligência.

“Essa decisão (extinção dos cursos) nunca foi explicada a alunos e professores, a não ser pela justificativa financeira – um argumento que não se sustenta, afinal, muitos programas deficitários foram mantidos, enquanto outros foram fechados. Não sabemos quais são os critérios para isso”, relata o doutorando Tiago Segabinazzi, da pós-graduação em Ciências da Comunicação.

O pesquisador destaca o caso de estudantes que vieram de outros estados para serem orientados por professores que acabaram demitidos. “Esses alunos não podem seguir seu projeto sem o auxílio que contrataram aqui e que está sendo descumprido. Para os acadêmicos, a pós-graduação não é mera aventura, mas um compromisso social. É o mesmo que se espera da Unisinos, instituição comunitária que, ao longo de décadas, recebeu incentivos do poder público para reverter à sociedade”, argumenta.

Relembre o caso

O Matinal apurou, em julho de 2022, que a Unisinos ganhou 110 novas bolsas antes de encerrar cursos de pós-graduação, de acordo com a Capes. De 2021 para 2022, o número de bolsas Capes destinadas à Unisinos cresceu 17%, mas o valor pago pelo Governo Federal equivale a metade das mensalidades. Conforme estimativa do Diretório Central de Estudantes da universidade, além dos 12 PPGs a serem encerrados, ao menos 40 professores também foram demitidos à época.

“O programa das Ciências da Comunicação recebeu nota 7 da Capes. É o mais bem avaliado da Região Sul do país. Só há três na área, em todo o Brasil, com essa nota, e ainda assim foi fechado. Esse curso foi expulso do prédio em que estava há décadas e lá há um laboratório que foi construído com verba pública, conquistada por meio das pesquisas do PPGCOM. O prédio foi alugado para empresas privadas”, pontua Segabinazzi.

Questionada pelo Matinal sobre a diligência da Capes, e também sobre a posição da universidade sobre o fechamento dos cursos de pós-graduação, a Unisinos não respondeu até o fechamento desta reportagem.

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