Revista Parêntese

Parêntese #133: Razão

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Parêntese #133: Razão Crédito: Acervo MoMAA (Moojen Marques Arquitetos Associados)

Nosso tempo tem a virtude de estar expressando, com clareza e força, a visão de mundo de grupos historicamente oprimidos, subalternizados, cancelados desde o berço, como é o caso dos afrodescendentes, dos indígenas, das mulheres, do povo LGBTQIA+ e por aí vamos. Pela primeira vez na história, desde a aurora do mundo ocidental, está claro que essas vozes, essas vidas, essas sensibilidades, têm todo o direito à existência, à voz, à praça pública.

O que virá com o decorrer do tempo? Seguramente mais igualdade, menos opressão – mesmo que, no curto prazo, haja reações bestiais como as que o atual governo federal patrocina a toda hora. A tomada da palavra por esses grupos não é coisa para terminar em fracasso.

Mas por trás dessas várias fatias da sociedade, está – ou deveria estar – a crença na igualdade de todos, pura e simplesmente. Uma utopia ainda, certo, que nos move para diante e agora requer a atenção para a emergência das lutas desses grupos.

A ideia de direitos humanos (e não apenas “do homem”, como chegou a se formular) tem a virtude superior de abranger todos, sem exceção. Para além de, aliás, muito aquém de uma etnia, uma orientação sexual, uma condição física, está a virtuosa universalidade dos direitos humanos.

Esta semana morreu uma das mais brilhantes inteligências brasileiras entre as que compartilham dessa crença. Sérgio Paulo Rouanet, muito antes de ter sido o formulador da lei que leva seu nome, foi um neoiluminista de primeira qualidade. Para a leitura deste que aqui escreve, seu livro As razões do iluminismo, de 1987, é exemplo disso. Sem as ilusões desenvolvimentistas e ecocidas que animavam o surto industrial do século 18 em que se configurou o primeiro Iluminismo, o neoiluminismo sabe de seus limites e das ilusões antigas, mas não abre mão do debate racional e aberto, com explicitação dos interesses de conhecimento, em favor da igualdade de todos. Um universalismo aderido ao chão da história, simples e imprescindível.

Com muito orgulho entra em cena nesta edição 133 uma nova parceria entre a Parêntese e o CAU/RS – Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul. A cada mês teremos uma entrevista, uma reportagem e um artigo, produzidos nessa parceria. Como instituição profissional ligada a um dos temas mais caros à revista e ao grupo Matinal Jornalismo, a cidade, o leitor terá excelente material para reflexão e atualização.

Com igual gosto e atenção trazemos uma entrevista com Sergio Bampi, pesquisador e professor da UFRGS, figura de grande destaque na produção de conhecimento e na preparação de novas gerações para o fascinante mundo digital, que além de tudo isso repassa a história – até aqui fracassada, por motivos políticos identificáveis – da CEITEC, a fábrica de microchips que foi instalada e agora, boicotada, caminha para um desfecho triste.

Não podíamos deixar passar outra morte recente, a do genial diretor teatral Peter Brook. Juliana Wolkmer e Luciano Alabarse dão a ver parte de sua brilhante história.

Lúcio Carvalho faz um diagnóstico do mundo editorial no interior do Rio Grande do Sul. Duas ilustres figuras do mundo da política no estado, Renato Oliveira e Hermes Zanetti, expõem sua visão sobre a necessidade de uma candidatura unificada no campo da centro-esquerda e da esquerda ao governo do estado.

Chega ao fim o folhetim de Frank Jorge, no capítulo 10. Arnoldo Doberstein conta da chegada do automóvel em Porto Alegre. E Frederico Bartz repassa a história da Livraria Internacional, uma das instituições de relevo na história dos trabalhadores na cidade. E nossa série com os depoimentos dos tradutores, vertida agora para o espanhol, traz a voz de José Francisco Botelho, um contrabandista consciente.

Com a crônica de Inajara Pereira encerramos o amplo leque de leituras da 133.

Ah: não esqueça de responder ao nosso novo questionário, que prepara uma nova edição impressa, que vai abordar o tema dos 200 anos da Independência.

Ah, outra ainda: para quem se interessar, estão abertas as inscrições para um curso de Especialização em literatura brasileira. Email para informações: [email protected]

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