Revista Parêntese

Parêntese #68: Invento um cais

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Parêntese #68: Invento um cais Foto: Tânia Meinerz

Um cais é de chegar e é de partir: é beira da cidade e é beira do mundo. Um limite, um ponto de encontro e de intersecção. Mas um cais é indesmentível: ele comunica o dentro com o fora, o que fica com o que parte. 

Aí tem o Cais do Porto de Porto Alegre. Uma joia, uma beleza, uma maravilha que a cidade viu nascer, em substituição a uma penca de trapiches particulares que ali operavam antes. Desde quando? 

Desde que Porto Alegre começou a existir, dois séculos e meio atrás. E antes dos portugas que começaram a cidade havia os indígenas locais, que por certo se serviam dessa linda beira d’água. 

Cento e dez anos atrás, informa Sérgio da Costa Franco no indispensável Porto Alegre – Guia Histórico, o governo estadual resolveu encarar a tarefa inadiável de melhorar o porto da cidade. Em 1911 começou a obra exatamente na altura da Praça da Alfândega, 140 metros de cais.

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E precisamente cem anos atrás, em 1921, ficaram prontos 490,23 metros de cais, da Alfândega até a altura da Marechal Floriano. Só em 1927 estavam disponíveis os 1652,88 metros de cais no centro da cidade. No fim das contas, são mais de 6 mil metros de porto, no total. 

E pra quê?

Bem ali no centro, onde a cidade nasceu e onde o cais fazia a mediação com o resto do mundo, apareceu o famoso muro, e quase se encerra aqui a conversa. 

Mas não: nós queremos o cais para a cidade e para a cidadania. Era chamado de Cais do Porto, agora tem o nome mais específico de Cais Mauá, aquela parte que corre paralela com a avenida desse nome.

Por sugestão do Ben Berardi e com apoio de todo mundo que conhecemos, armamos uma Operação Cais Mauá para o número 68 da Parêntese. Gente de qualidade e atenção traz sua visão para os leitores. Jacqueline Custódio, Luciano Fedozzi, Tarson Núñez, Anthony Ling, Jorge Furtado, Carlos Gerbase, Francisco Marshall e o já citado Ben Berardi repassam a história da luta da cidade pela preservação do Cais, não como algo parado no tempo e saudoso da época de ouro, mas como parte da riqueza que Porto Alegre tem.

Três cerejas tem esse bolo. Um texto de Idalia Coronel-Martins, grande figura da cidade, que conheceu Porto Alegre quando para cá veio, de navio, desde sua Manaus natal, e que conta sua visão da menina de dez anos que viu a capital gaúcha a partir do Cais. O texto do Falero, que conta de sua carreira de craque de futebol nas pedras do mesmo Cais.  E a esclarecedora entrevista que o Francisco Marshall fez com Adriana Schönhofen Garcia, arquiteta que tentou entrar no jogo e explica o que poderia, na prática mais elementar, ser feito. No total, material para guardar e levar debaixo do braço na próxima manifestação, mandar pro deputado e pro vereador, pros amigos e até para os inimigos. Ainda temos o que fazer!

Riqueza que, é claro para quase todo mundo, não pode ser malbaratada com estacionamento e, argh, um “beach club”, como alguma vez já se prometeu, uma entre tantas promessas de revitalização – neste caso, uma tolíssima e cretina revitalização. Riqueza que o ensaio fotográfico da Tânia Meinerz valoriza como poucos outros saberiam fazer. 

Um dos nossos entrevistados é um pensador da vida política, com trabalho notável sobre violência, polícia e crime, Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo. Com ele vamos passear pelos últimos 40 anos da vida brasileira – e o resultado é dos mais esclarecedores. 

Como se precisasse de ainda uma outra atração para a leitura, reproduzimos aqui uma parte da entrevista que a equipe Matinal, Roger Lerina e Parêntese fez com o novo secretário de Cultura de Porto Alegre, Gunter Axt.

E ainda temos a parte final da história de Túlio Piva, pela mão de Arthur de Faria, e a continuação da história das Vanusas, agora com um acréscimo de dureza, no folhetim de Nathallia Protazio.

— Luís Augusto Fischer

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