Revista Parêntese

Parêntese #73: Coletivo e plural

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Parêntese #73: Coletivo e plural

Quando Selma dos Santos Dealdina foi convidada a escrever um livro sobre as mulheres quilombolas, decidiu que não escreveria só. Aprendeu com o tataravô Silvestre Nagô que a luta quilombola é coletiva. Nagô dizia que só deixaria de andar descalço pelas ruas de Porto de São Mateus quando todos os negros e negras tivessem o que calçar, conta Dealdina na apresentação do livro Mulheres quilombolas: Territórios de existências negras femininas (editora Jandaíra). A obra tem textos de 18 mulheres quilombolas de diferentes regiões do País.

Cheguei neste livro porque tenho mergulhado no tema desde que conversei pela primeira vez com Patrícia Gonçalves, nossa entrevistada desta semana e que faz parte da Frente Quilombola RS. É ela quem nos conta que não só a luta quilombola é coletiva, mas toda a vida nesses territórios está alicerçada na relação com o outro.

Também o ensaio fotográfico nos fala sobre a noção de comunidade – e o tanto mais que une as mulheres de Havana, segundo o olhar de Gabriela Mo. 

Assim como Dealdina queria um livro que representasse a pluralidade dos territórios quilombolas, nós aqui na Parêntese temos a pretensão – gigantesca, reconhecemos – de oferecer a pluralidade do mundo, um pouquinho a cada revista. Saber que essa tarefa não tem número para acabar nos motiva a planejar a edição seguinte.

Falando em história comprida, segue o passeio delicioso pela biografia musical de Porto Alegre, ainda com os melódicos, por Arthur de Faria. Essa Parêntese, aliás, está bem musical. Voltamos a falar do mestre Nelson Coelho de Castro, agora com um relato de Patrick Tedesco, que digitalizou as capas dos seus discos. E ainda tem o Henrique Cardoni, que catou as palavras mais usadas nas letras do rock gaúcho dos anos 80, aquela música feita por uma turma de machos brancos de classe média. Nada plural. Como de costume, lá estão eles no topo da pirâmide: a palavra que mais aparece nas canções é “eu” (na base dessa mesma pirâmide, estão as mulheres quilombolas…). Mas essa é só uma provocação minha, que reforça um dos pontos do próprio Cardoni. Vale ler toda a análise para saber o que mais podem significar essa e outras palavras escritas no início da redemocratização.

Para fechar, um combo das letras: Demétrio Xavier espreme invenções até que se mostrem verdades (ou seria o contrário?); Pablito entrevista o Mauro, livreiro da Ladeira; e Nathallia Protazio, enfim, nos conta o que sobra depois da festa, neste que é o último capítulo de seu folhetim.

Boa leitura!

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