Revista Parêntese

Parêntese 62: Um salve para os cientistas

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Parêntese 62: Um salve para os cientistas Foto: Joana Berwanger

Ciência é mais bastidor do que palco: é laboratório, trabalho meticuloso e lento, ideia, teste, refutação, retomada, invenção, e lá adiante, quando tudo converge, um pequeno momento no palco, para receber algum aplauso. O cientista mostra então que respira como qualquer um de nós, paga boleto, teima e lima e sofre e sua, como dizia o velho soneto do Bilac.   

Ivan Izquierdo teve palco: ganhou fama, deu entrevista, explicou coisas complexas da memória, sua área de atuação. Mas isso rolou depois de umas décadas de trabalho silencioso, nem sempre com boas condições. E agora, uma semana atrás, faleceu, aqui em Porto Alegre, como um dos grandes homens da redondeza e, em sua área, um dos grandes especialistas do mundo.

Sim, senhores. Um cara do tamanho de um Nobel, esse era o Izquierdo, que aqui é lembrado por três cientistas que foram seus orientandos, Carlos Alexandre Netto, Jorge Quillfeldt (esses dois da UFRGS) e Grace Schiavenatto Moraes (da UFMG), e por um jornalista que é também um dos grandes entre nós, Geraldo Hasse. Com isso, queremos nos somar ao coro de lamentação – e memória – que Izquierdo merece.    

Mas a ciência está viva – e como! Tanto que nosso entrevistado da edição 62 é um deles. Uma grande figura humana, biólogo e, se não bastasse, poeta: Gonçalo Ferraz. Português de nascimento, vive há anos em Porto Alegre contando bichos – confira lá o périplo de sua vida e o encanto de sua capacidade de relatar o que tem vivido até aqui. Duvido que alguém pare no meio a leitura.  

As fotos da Joana Berwanger são, ao mesmo tempo, uma evocação (uma memória) de tempos passados, quando dava pra brincar o carnaval sem medo, e uma declaração de luta feminista. Evoé! 

Eduardo Vicentini de Medeiros, no penúltimo capítulo da série atual, revisita um inesperado clássico nacional – Iracema, de José de Alencar. Na tirinha, o traço sempre sutil de Grazi Fonseca. Arthur de Faria nos conta de três compositores porto-alegrenses pouco lembrados e muito interessantes. E José Falero encerra hoje a pequena mas preciosa saga de sua experiência numa oficina de música.

Entramos na conversa sobre o lugar de Machado de Assis na escola com o testemunho de Rodrigo Breunig, que documenta uma profissão de fé na inteligência dos adolescentes.

Um parceiro nosso, habitante dos EUA, Johnny Lorenz, foi solicitado e produziu uma sensível crônica sobre o que foi ter vivido a eleição de Joe Biden, após quatro tormentosos anos trompistas. (O que ocorrerá conosco daqui a dois anos?)

Neste número, nos despedimos da história tramada por Marcelo Martins Silva, com seu folhetim que tanta semelhança apresentou com nosso cotidiano pandêmico. Certo, é um retrato deformado – como a arte costuma fazer, quando quer dar a ver mais claramente. “O amor é uma coisa estranha, mas quase já não paro mais pra pensar nisso”, pensa seu protagonista, ao final, com a desolação consumindo suas esperanças. 

(Semana que vem, começa um novo folhetim, assinado por Nathallia Protazio. Aguarde.)

PS: O “Ano Maestro José Pedro Boessio” iniciou em 28 de janeiro, em São Leopoldo. A programação incluirá uma série de atividades para homenagear essa importante figura do mundo musical, falecido há 20 anos em acidente automobilístico. Maestro de projeção internacional, foi um inovador arranjador e regente de corais. Foi fundador da Orquestra Unisinos (1996), um dos organizadores da Orquestra de Câmara do Theatro São Pedro (1985) e diretor cultural da Unisinos (1996-2001). No dia 28, foi inaugurado o novo memorial em sua homenagem, no Centro Cultural que leva seu nome, em São Leopoldo, cidade em que haverá programação pelo ano todo. Quer lembrar dele? Veja a “Canção da América” ou “Os homens de preto”, pelo Coral UNISINOS, em 1986. 

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– Luís Augusto Fischer

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