Revista Parêntese

Parêntese #116: Narrar o mistério

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Parêntese #116: Narrar o mistério

A luz do sol é um remédio de validade universal. Para viabilizar a fotossíntese, para ajudar o organismo humano a produzir a vitamina D, para encurralar a corrupção e igualmente para esclarecer persistentes mistérios da vida. 

A luz do sol narrativo é a mesma coisa. Contar é um jeito seguro de entender, ou caminhar na direção do entendimento. Quer prova? Então lê o texto do Carlos Scomazzon, jornalista, que começa na edição de hoje a contar, em dez capítulos suas memórias da epilepsia. 

Por 32 anos ele viveu encurralado pelo mal que já foi chamado de “divino”, que esgota muitas das energias do indivíduo. Como ele acontece, como ele priva a pessoa de liberdades para outros elementares. As dores físicas e espirituais que ele causa. O Carlos conta isso tudo com grande coragem e texto limpo e direto, de resultado comovente.

O ensaio de fotos traz cenas do passado: Eduardo Vieira da Cunha, pintor e professor, foi fotógrafo e jornalista ativo numa quadra importante da vida brasileira, nos anos finais da ditadura. Testemunhou pontos de mudança histórica como, por exemplo, o famoso acampamento de sem-terra que está na origem do MST, e aparece aqui em imagens célebres.

Dois textos dão conta da vida atrás das grades. Carolina Vetori conta sua experiência com o teatro produzido com mulheres presas, enquanto Ângelo Chemello Pereira, nosso editor aqui na revista, conta de uma experiência inalcançável por presas brasileiras – na França, uma delas, leitora aguerrida, se tornou jurada de um concurso literário. Não é a revolução das estruturas, mas é sim mudança, iluminada por textos empenhados em acender luzes.

Não é querer gabar à toa o material produzido pelos editores da Parêntese, mas olha só: nossa editora Nathallia Protazio, com a memória acionada pela guerra contra os ucranianos, evoca uma passagem dura de sua vida, quando abandonou a Europa para voltar ao Brasil. 

No folhetim, Taiasmin Ohnmacht avança na ficção especulativa, com gente falando em porto-alegrês em cenários inesperados. Arnoldo Doberstein conta agora das representações da República entre nós. Nas tirinhas da dupla Augusto Bier e Carlos Castelo, mais uma história do que ladram os cachorros. Arthur de Faria repassa a vida do pianista Adão Pinheiro. 

Nossa querida Ana Marson começa a fazer aqui a crônica narrativa de sua viagem à Península Ibérica. E Jandiro Adriano Koch nos brinda com o começo da história de uma figura tão interessante quanto misteriosa, a escritora gaúcha Vera Mogilka, que em certo momento despontou como uma voz original no cenário literário. 

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