#180 | JULHO DE 2023

“O texto já está lá, assim como o mar, só preciso navegá-lo.”

Preciso escrever uma crônica sobre o exercício de escrever – o que para mim ele significa. Não sou teórico nem técnico, sou preguiçoso. No sábado acordo cedo na missão de fazer o texto. Ligo o computador, depois volto para cama e leio umas dez páginas do livro A vegetariana, e mais dois poemas do Paul Celan. Levanto, pego o telefone e dou play no Spotify – não tenho discos, nem aparelho para tocar CDs, a música caminha pela casa vazia como se fosse uma pessoa. É minha playlist de reggae – Roots Radics. Sinto vontade de treinar capoeira, gosto quando os treinos ocorrem sábado pela manhã, me sinto mais disposto. Quando são à noite a preguiça já tomou conta do corpo; ela ou a boêmia, o rumor agitado das conversas e da música. Penso que o café irá me ajudar a escrever, é clichê, mas estratégico para adiar mais um pouco o momento de sentar-me frente à tela branca. Antes escrevia tudo no papel, à mão, porém, em textos mais longos vou ficando cansado, de modo que venho tentando fazer tudo desde o princípio no computador. Imagino diversas possibilidades de iniciar o texto, frases soltas, palavras; é preciso entrar no mar de alguma forma, por alguma reentrância na praia. O texto já está lá, assim como o mar, só preciso navegá-lo. 

Sei que o com o tempo a prática de escrita não se tornou mais fácil, simples, há sempre um tanto de angústia, sentir-se às cegas, fazer um esforço quase físico, talvez realmente físico, e deve ser por isso que levanto da cadeira para caminhar ou dançar enquanto escrevo, para traduzir em palavras as imagens que o olho capta, assim como a matéria sensível e disforme que se equilibra entre o sentir e a intuição. Inscrever-me na vida, talvez fosse esse meu desejo quando, não sei bem por que, comecei a escrever. Talvez. O exercício da escrita é impermanente, cheio de rupturas e ausências. 

O acesso a esse conteúdo é exclusivo aos assinantes premium do Matinal. É nossa retribuição aos que nos ajudam a colocar em prática nossa missão: fazer jornalismo e contar as histórias de Porto Alegre e do RS.

 

 
 
 

 

 

 

 
 
 

 

 
conteúdo exclusivo
Revista
Parêntese


A revista digital Parêntese, produzida pela equipe do Matinal e por colaboradores, traz jornalismo e boas histórias em formato de fotos, ensaios, crônicas, entrevistas.

Quer ter acesso ao conteúdo exclusivo?

Assine o Premium

Você também pode experimentar nossas newsletters por 15 dias!

Experimente grátis as newsletters do Grupo Matinal!

Também nesta edição
Ready for an adventure? Take a dive into my world of photography from exotic locations around the globe – from places like Zambia, Morocco, and more! All photos shot on the Canon EOS 5D. Feel free to reach out and connect with me!
ASSINE O PLANO ANUAL E GANHEUM EXEMPLAR DA PARÊNTESE TRI 1
ASSINE O PLANO ANUAL E GANHEUM EXEMPLAR DA PARÊNTESE TRI 1

Esqueceu sua senha?

ASSINE E GANHE UMA EDIÇÃO HISTÓRICA DA REVISTA PARÊNTESE.
ASSINE E GANHE UMA EDIÇÃO HISTÓRICA DA REVISTA PARÊNTESE.