Revista Parêntese

Parêntese 52: Era uma vez

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Parêntese 52: Era uma vez

Uma revista de ideias, reportagens e boas histórias, feita em Porto Alegre, com raízes na aldeia e asas no cosmo – ou “com os pés no galpão e a cabeça na galáxia”, dizia a frase que meu finado amigo Luiz Sérgio Jacaré Metz forjou para seu grupo de invenção musical, o Tambo do Bando, no final dos anos 1980.  

Um ano atrás nasceu a Parêntese. Em parceria com a Matinal e o Roger Lerina, viu a luz do dia em 30 de novembro do ano passado. Tão perto, tão longe – a gente nem sonhava com pandemia e tudo que ela nos impôs. 

Agora estamos no número 52, como 52 são as semanas do ano. (E na linguagem das redes, 52, ou S2, faz um coração, sabia?)

Por estarmos aqui vivos ainda, vai um salve muito, mas muito agradecido aos leitores, assinantes, apoiadores, simpatizantes, praticantes da Parêntese. Queremos ir adiante por muitos anos, incontáveis anos. 

(Falando nisso, estamos ordenhando uma vaquinha moderna, agora dita crowdfunding – que bem podia ser rebatizada para cow-funding, rarará.  Se ocorrer a ventura de uma colaboração sua, ficaremos ainda mais energizados para a jornada que se abre à nossa frente.)

Calhou de neste primeiro ano termos acompanhado de perto a explosão da carreira literária de um parceiro de primeira hora, nosso mais que colaborador José Falero. Cronista, ficcionista, editor de texto, revisor, cavaquinista, figuraça, o Falero lançou há pouco seu segundo livro, o primeiro romance, Os supridores, pela editora Todavia, uma das pontas de lança do mercado da alta literatura no Brasil.

Uma honra para a Parêntese contar com o Falero – e por isso, neste primeiro bolo de aniversário, sopramos as velinhas organizando uma Operação Falero. Já fizemos outras – para José Mauro de Vasconcelos, para Belchior, para Ricardo Piglia. Só gente importante, como deve ser.

Daí termos aqui uma entrevista peculiar com ele, com perguntas feitas por várias gentes da nossa redação e colaboradores próximos. Daí termos, depois, cinco depoimentos sobre ele – sua irmã, Caroline Falero, sua namorada e companheira da literatura, Dalva Soares, os escritores Duan Kissonde e Tônio Caetano, mais o editor da Todavia Leandro Sarmatz

Para fechar a Operação, um quadrinho apaixonante do Pablito Aguiar sobre o Falero (e mais alguém – adivinha?), em sua vigésima colaboração para a revista – ei, Pablito, ninguém solta a mão de ninguém, tá certo?

Mas isso ainda não é tudo. Arthur de Faria conta mais uma fatia da história do rádio em Porto Alegre, enquanto Cláudia Laitano esclarece mais uma palavra de nosso tempo. As fotos de Natália Guindani são toda uma outra viagem, a que somos levados pela mão de lindos textos, em prosa e verso, da Lolita Beretta. Quarta-feira passada a Parêntese ofereceu uma crônica sensacional do Moisés Mendes. Viu lá?

A Júlia Dantas encerra hoje seu excelente folhetim, com o décimo pássaro de Porto Alegre. Portanto, aqui nos despedimos de Lúpino e de Domingos, dois queridos, duas almas sensíveis, que viveram a vida vicária da ficção para nos desvelar melhor a realidade empírica da pandemia, que ainda não terminou. Valeu, Júlia!

Fica para o fim da lista a visita da Indesejada das Gentes, que andou armando uma nova trampa para nós: levou, sem aviso prévio, o queridíssimo Zeca Kiechaloski. Ator, escritor de talento, autor de uma preciosa biografia de Elis Regina lá quando ela mal tinha falecido, o Zeca deixou uns quantos órfãos e órfãs, viúvos, viúvas, amigos saudosos. Por isso pedimos que dois deles nos ajudassem a chorar essa morte: Sérgio Karam e Ivan Mattos. Chore junto, com lenço ou sem lenço nem documento. 

Enquanto Ela não nos aborrece, sigamos por aqui, fazendo e acontecendo, na Parêntese (na carta do Horácio Dottori, na vibrante seção Relampo) e fora dela.

PS: Ela, a Indesejada, mostrou sua cara da pior forma possível. Um homem foi assassinado pela estupidez de dois agentes da ordem privada. Um homem negro. Era véspera do dia 20 de novembro, data conquistada pelo movimento negro brasileiro há apenas uns poucos anos. Poucos anos que contrastam com os séculos de escravidão de africanos e afrodescendentes, e o século e meio posterior ao fim da escravidão. Século e meio que não abrandou o racismo. Se fosse branco, teria tido esse fim? A quem se dirige essa pergunta inútil?

A resposta, meu amigo, sopra no texto do Luiz Maurício Azevedo.

Luís Augusto Fischer

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