Revista Parêntese

Parêntese 54: Leitor incomum

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Parêntese 54: Leitor incomum Foto: Claudia Magnus

Um fantasma recorrente no mundo dos livros, da crítica literária, da literatura enfim, é o do leitor comum. Existe essa figura? Falar nele é barbada. “O leitor comum prefere”, “O leitor comum rejeita”, etc. 

Seria o mesmo que pensar no espectador de teatro? Também ele poderia ser enquadrado como “comum”? E o frequentador de exposições de artes visuais? E a plateia de um show ou de um concerto?

Ah, aqui se esclarece um segredo que nada tem de secreto: ocorre que o leitor é sempre e necessariamente um singular, um indivíduo. Recolhido em sua estrita pessoalidade, viajando aparelhado de um escafandro de letras para dentro de si mesmo, ali ele vive a aventura intransferível da leitura, que é a mesma da imaginação, esse núcleo duro da liberdade. 

Por isso, cada leitor é um leitor, sempre incomum. Porque cada um, quando vive sua liberdade, faz voo solo. 

Parêntese resolveu comemorar seu primeiro ano de vida promovendo uma enquete entre leitores. Nos demos conta de que já fechamos duas décadas de um novo século. E duas décadas não são duas semanas: já deu tempo de tanta gente aparecer, brilhar, publicar, ler, pensar, que já cabe até um balanço.

O centro da edição 54 se dedica a esse inquérito, a essa fotografia. Pouco mais de uma centena de bons leitores nos disse quais eram os três mais importantes livros de ficção publicados por brasileiros. Nós fizemos as contas e eis aí o resultado. 

Aproveitamos para tomar depoimentos dos autores mais vezes mencionados. O autor do livro mais votado é Bernardo Kucinski, com seu K.: Relato de uma busca. Ele nos concedeu uma entrevista para ajudar a pensar em sua obra e em nosso tempo. 

Também se manifestaram Milton Hatoum, Ana Maria Gonçalves, Chico Buarque, Luiz Ruffato e Cristóvão Tezza. O leitor poderá acompanhar os meandros dos resultados, numa extensa reportagem, com gráficos de companhia, e mais um texto de Cláudia Laitano

Temos muita coisa mais. A presença sempre estimulante do Pablito Aguiar com o tema da vacinação, a coluna do Arthur de Faria em visita à Era do Rádio em Porto Alegre, o texto do José Falero dá testemunho vivo de um tiro. Cláudia Magnus comparece com um lindo ensaio de fotos, com atenção a detalhes que ignoramos da vida ao nosso redor.

Nosso novo folhetim, de Marcelo Martins da Silva, traz seu segundo capítulo, em que o narrador-personagem afunda na rotina da pandemia, enquanto a nova série de Eduardo Vicentini de Medeiros começa sua jornada pela literatura brasileira, para estudar como foi que o casamento e seus arredores foram aparecendo em nossa cultura letrada. O começo, paradoxalmente, é um divórcio! E temos ainda o luxo de uma crônica do Moisés Mendes

Terminamos com mais um luto. Desta vez foi a grande figura do Gelson Radaelli. Falecido subitamente aos 60 anos, sua obra e sua pessoa são evocados aqui em três depoimentos, de Mário Corso, Eduardo Veras e Neiva Bohns. O mesmo fez Roger Lerina aqui neste texto que saiu sobre o artista em seu site durante a semana. Olhando as imagens de seus quadros que aqui vão reproduzidos, é de imaginar até onde mais ele poderia nos levar com sua arte tão visceral. 

Luís Augusto Fischer

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